Visitante nº

sexta-feira, 30 de abril de 2010

CONSIDERANDO, DOUTOR!

Tobias Barreto de Meneses nascido na Vila de Campos-SE em 1839 , morreu em Recife em 1889. Poeta, escritor, jornalista, fundador da Escola do Recife.

Muitos são os juízes que estabelecem a SENTENÇA por intermédio do considerando.
A nossa vida é repleta de considerando.
O imortal Tobias Barreto escreveu, no século XIX, um poema:
NAMORO NÃO É CRIME
Considerando que as flores
Existem para o nariz.
E as mulheres para os homens,
Na opinião do juiz;

Considerando que as moças,
Ariscas como a perdiz,
Devem ter seu perdigueiro,
Na opinião do juiz;

Considerando que a gente
Não pode viver feliz
Sem fazer seu namorico
Na opinião do juiz;

Amemos todos, amemos,
É cupido que o diz;
Pois namoro não é crime,
Na opinião do juiz.

Fizemos também o nosso poema Considerando, Doutor

Considerando que a justiça é tardia,
A Divina é a mais correta.
Que todo ser humano falha
E a morte é a coisa mais certa.

Considerando que a toga,
Doutor, não acumula saber!
Que o trabalhador carece de folga!
Ninguém é a vida inteira poder.

Considerando que, às vezes, excelência
N'alma a expressão é de desdém.
A usura não possui consciência,
A luta maior é por mais bens!

Pelo que fora exposto,
Doutor, a quem pisa, maltrata,
Um dia, será morto
E com o Diabo parta.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A NOTÍCIA COM SANGUE

Bolsa de sangue


A notícia já vem com lágrima e sangue. Liga-se o rádio, a televisão, o que se observa é a tragédia:

"Criança de dois anos morre em incêndio."

"Na China, um homem com uma faca fere 18 crianças no jardim de infância."

No fim-de-semana, vários corpos estendidos no IML (Instituto de Medicina Legal).

Os grandes jornais possuem a seção de obituário.

A gente lê nos jornais: "Homem é estuprado por dois bandidos." Homem não pode ser estuprado, só a mulher, afinal, o estupro é pênis introduzido na vagina. O homem pode sofrer Atentado violento ao pudor. O jornalista, em sua defesa, poderá dizer:

"Conhecer Direito é coisa de juiz, promotor, defensor público e advogado." Vem logo aquele dito jurídico: "Ninguém deve alegar em sua defesa o desconhecimento da Lei."

Para equilibriar as más notícias, a televisão e o rádio estão repletos de programas religiosos: "Cristo Salva."

"Deus é amor."

"Jesus cura."

A tevê educativa é de pouca audiência. O ser humano adora a tragédia.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A TRISTE DECEPÇÃO


A PRISÃO DE CRISTO - 1602 - Quadro do pintor Michelangelo Caravaggio. Vê o beijo de Judas em Cristo





A Bíblia adverte: "Infeliz do homem que acredita no outro." Entre os discípulos de Cristo , houve um que o entregou aos soldados romanos: JUDAS ISCARIOTES.

O beijo de Judas é de traição ou de cumprimento? Afinal, lá no oriente, assim como na Argentina, os homens cumprimentam uns aos outros com o beijo.

Escrevemos um poema a TRISTE DECEPÇÃO:



A perfídia causa repugnância

Mas ela é maré alta

E todos os dias avança

Em cada chefe

Raro é não possuir uma falta

De sinceridade

Para chegar ao alto

Uma alma dança

E ao poder

O homem tem que ser fera sagaz

Uma cobra se arrastando

Para devorar a presa

Há na voz humana tanta incerteza

Se se pudesse tirar o manto

Da alma de cada ser

Veria que no semblante santo

Há um molambo

Que esconde o bicho mal

O ser que a gente julga legal

Às vezes, bom ator no teatro da vida

Devemos aguardar o preâmbulo decepção

Se ocorrer o contrário

A exceção faz parte

Toda fera mostra os dentes

Na hora do ataque

A quem lhe sorri

Muito cuidado

Desconfia sempre

Precaução é bom remédio

Na voz mansinha

Bem suave

Pode voar uma ave de rapina

Lá no recôndito

Pode existir fezes, uma latrina.

BOCA DE PRAGA

A VIRGEM DOS ROCHEDOS = De Leonardo da Vinci - 1483

Quando Ismael tinha 10 anos, fora acusado de ter furtado uma bola . Seu pai, o comerciante Bernardino pagou a bola. Ismael apanhou inocentemente. O ladrão foi outro Ismael, conhecido como Cabeção.
Ismael baixinho falou:
"Vocês me pagam."
Ismael cresceu, tornou-se advogado.
Entre seus clientes o outro Ismael, que se tornara um ladrão perigoso. Por mais de uma vez, Ismael conseguiu tirar da cadeia Ismael ladrão.
A polícia assassinou o ladrão.
Os acusadores da infância tiveram destino cruel: João da Mata, vigia, fora morto por ladrões. José de Arimatéia sofreu acidente e morte imediata.
Até hoje, quando Ismael diz:
"Você me paga." Sua esposa Gracinha fica em agonia:
"Ismael, pelo amor de Deus, bata em sua boca por três vezes e retire o que disse."
Ismael nunca se arrepende do que fala.
Ismael não é um homem de vingança, mas deixa o sobrenatural agir.
Praga de Ismael é semelhante a de mãe, pega.
Um dia, virá a morte de Ismael e o padre em sua recomendação:
"Que Deus o tenha no céu."
Já pensou em Ismael no paraíso?

O RABUGENTO








Diómedes, até o nome é estranho, é um sujeito rabugento. Vê defeito em tudo. Pense em um cabra de mau-humor. Ninguém nunca ouviu um elogio de Diómedes. É cri-cri mesmo. Ateu convicto, não acredita em nada. Ai daquele que escorregar na língua do cara de mal com a vida. Diómedes é explosivo. Dizer o que pensa é com ele mesmo. Nada de atenuante. Se o sujeito morreu, para que eufemismo, suavizar:
"José entregou a alma a Deus."
No mundo de Diómedes:
"O filho do cabrunco, filho da peste morreu, pensou que não morria. " Assim diz com o seu vizinho Lindolfo.
Eu escrevi este poema o RABUGENTO em homenagem a Diómedes:
Tua boca escarra xingamentos!
Não aprendeste no tempo
Só atirar pedras não edifica
És um cão raivoso em ira
Não enxergas a beleza da flor
O colibri beijoqueiro ao entardecer
Sangue, amargura e dor
Ofertam a ti grão prazer
Interroga-se vale a pena a lida?
És um defunto a caminhar
Pobre alma ferida
Há um novo nascer do sol
É mister metamorfose na vida.

Se este poema chegar a Diómedes, serei mais um filho do cabrunco. Poeta de rima fraca, de versos capengas.

terça-feira, 27 de abril de 2010

ACEITAÇÃO

Quellen nascera numa cidade do interior. Começou a trabalhar logo cedo. Suas amiguinhas possuíam uma inveja latente de Quellen, visto que era magra, bem torneada, de corpo bonito.
Mas Quellen não estava satisfeita, sempre tomava remédio para engordar, enquanto suas colegas viviam tomando pílulas para o emagrecimento.
Quellen querendo aumentar o peso, suas coleguinhas desejando diminuí-lo.
Quellen, apesar de bonita, não se aceitava.
Vivemos no mundo da não aceitação, quando as pessoas se aceitam, abrem o primeiro passo da felicidade.

VIDA COM PRESSA


E agora, Maneca?
A vida já não corre devagar,
Tudo tem pressa!
Conta a pagar
Água e Luz.
Ai, meu Jesus,
Queimou o cuscuz.
E o trem?
Que trem, Maneca,
Desativada a estação da Lepoldina
E a menina que ouvia Dolores Duran,
Dalva Oliveira?
A bela moça transformou-se em velhinha,
Sempre repetindo:
"Em meu tempo isso não tinha"
Crack, maconha, coca.
A velhinha ainda sonha
Com um baile no Copacabana Pálace
Acorda, Maneca,
As meninas já não brincam de peteca
Divertem de papai e mamãe
Perdição, apocalipse,
Maneca, deixa de tolice
Sinais do tempo?
O mundo vai acabar
Quem se arromba é a gente !
Céu e inferno
Vivem entre nós.
Procura-se um anjo?
"Receba as flores que lhe dou."
Assassinaram o romantismo!
A meninada agora é ficar...
Beijo aqui e acolá:
Beijo de escarro,
Beijo de cebola,
Beijo de cigarro...
Pouco importa!
Vale o beijo!
Maneca, sua vida quase morta,
Tudo é passado.
A vida corre com pressa,
Tudo pra frente.
Maneca, sai dessa
Ou tente.
Brava gente -
Coisa bela no hino.
Mais um herói morto
Por um bandido.
Chora menino!
Maneca, almeja ser herói morto
Ou covarde vivo?
Mais um tiro perdido
Atinge um inocente!
Na tevê, na televisão, na internet,
Violência e morte
São sucesso.
Mais uma Igreja é aberta:
"Deus é a esperança."
"Jesus é o sossego."
A paz de bandeira vermelha !
O homem sempre com medo!
"Só Deus pode salvar."
Maneca a chorar:
Sente saudade das cadeiras na calçada...
Boas conversas no fim-de-tarde !
"Ligue para meu celular."
Escreva para o meu e-mail."
O avião atrasou,
temporal na Europa,
Maneca, o mundo mudou!
Será que o Brasil ganha a Copa?
Você chorou em 1950,
Ai, ai, ai, ai, deu Uruguai!
Maneca sofre do coração
E grita: "Meu Deus, não aguento mais."
Poema escrito por Osvaldo Abreu