Visitante nº

sábado, 30 de janeiro de 2010

CADÊ CÊ, VOCÊ

Estou em Buenos Aires em pleno exílio, querendo volta para o Brasil,lamentavelmente, não consigo. Com a alma na terra natal - Sergipe - e o corpo na Argentina. A moça da CVC ficou de ligar para mim, o alô não veio, talvez, se perdeu no caminho, deu um problema na Embratel, quem sabe estar muito cansada? Tudo é possível. Do meu quarto escutei gritos, torcedores argentinos festejando mais uma vitória de seu time local. Uma criança chorava e gritava muito. O quarto é conjugado. A moça da CVC não me avisou. É até compreensível, é preciso vender, há cota, imagino. À noite anterior, tive que ficar ouvindo os gritos de uma mulher em seu prazer. Pensei que era um assassinato. Depois veio:
"AI, AI, AMOR!" O casal parecia de cágado, fazendo amor era aquele barulho. Amor animal ou amor revelação? Confesso que fiquei em dúvida em classificá-lo. A voz era de mulher brasileira com sotaque de baiana. É um drama: você na solidão e noutro lado, os beijos e abraços, dá uma inveja danada. Matutei: deve ser um casal brasileiro em plena lua-de-mel, aproveitando a valorização do real, cada real vale dois pesos. Ninguém deve atrabalhar ninguém na hora do amor. Apesar da perturbação em meu sono, não disquei para portaria. Liguei a televisão naquela altura, varri a madrugada assistindo tevê. Na noite dos torcedores argentinos sob berros, toquei nas teclas para portaria, o problema foi resolvido.Nada contra los hermanos, tolerar os gritos de torcedores que não são do nosso time, é um café amargo. Naquela noite de choro e grito de uma criança, foi tolerável e perdoável, só sabe o que é isso quem é pai.

De repente, o telefone tocou, deve ser a moça da CVC:
"POR FAVOR, SENHOR, É UM ENGANO." Deu vontade de mandar...

Será que a moça da CVC está doente depois do PRÉ-CAJU? Que pena que eu não pude estar presente este ano.

Se você encontrar com a moça da CVC em Aracaju, diga que estou com saudade da minha terra: de Aracaju-SE, da praia de Atalaia, da Barra dos Coqueiros, de minha Simão Dias, de meus familiares, de meu filho Marcos Vítor. Talvez, ela seja mãe! Caso não seja é mulher, o sentimento é maior.
Diga a ela, que por favor, não chore, tudo passa...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

BUENOS NORDESTE, BUENOS SERGIPE



PONTE ARACAJU-SE A BARRA DOS COQUEIROS

Neste pequeno período que me encontro em Buenos Aires, fico a pensar no poema Canção do Exílio, o poeta Gonçalves Dias diz: "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá." O poema foi elaborado em 1843, quando Gonçalves Dias estava estudando Direito na Universidade de Coimbra em Portugal. Fico observando o povo argentino, os belos prédios, os restaurantes, os bons hotéis, o porto, o tango , tudo é encantadador, mas nada incomparável com as nossas praias, a gente feliz, o nosso forró, o nosso povo simples, a boa conversa.
Lá no Nordeste, o homem aperta a mão do outro, cumprimentando-o, aqui o costume, não é outra coisa não, rapaz, o macho beija o amigo no rosto.
Se meu avô fosse vivo diria:

"ISSO É O FIM DO MUNDO, FALTA DE VERGONHA."

Cada povo com o seu costume, esta moda no Nordeste brasileiro não funciona.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

INSTANTES PARA A VIDA

O escrito que Jorge Luis Borges, um dos maiores escritores argentinos, deixou como exemplo é bem interessante. Fora dito por um velhinho de 85 anos, que viveu a vida repleta de formalidades. Nos últimos dias, para a surpresa de muitos, Jorge Luis disse que instantes ñao foi ele quem escreveu.

E lembrando o Filme o Carteiro e o Poeta, quando o carteiro disse a Neruda que a poesia ñao é de quem a faz, mas de quem precisa.

Instantes vale sempre para a vida inteira, vejamos:





INSTANTES


Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser perfeito; relaxaria mais.
Seria mais tolo do que tenho sido; na verdade,
bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilhas,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente
cada minuto de sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabes, disso é feita a vida, só de momentos,
não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas;
se eu voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço
no começo da primavera, e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vida pela frente.
Mas vejam, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo...


JORGE LUIZ BORGES , 1986, SUÍÇA.

domingo, 24 de janeiro de 2010

SAUDADE DO BRASIL



ARACAJU, CAPITAL DE SERGIPE - NORDESTE BRASILEIRO - PRAIA DE ATALAIA, NOITE

Ninguém pode fugir duma saudade, duma lembrança.O romantismo fez grande sucesso no século XIX. A nossa música dos anos 40 a 50 era bem romântica, dotada de dor, de paixáo, de nostalgia, saudade. Podemos lembrar de Dolores Duran, Marlene. O romantismo continuou nos anos 70 por intermédio dos imortais Nélson Gonçalves e Altemar Dutra.
A saudade faz chorar. A nossa gente brasileira, que se encontra no estrangeiro, sofre com a dor de recordar.
Podemos bem avaliar por este período curto que estamos aqui em Buenos Aires. O bonito aqui é incomparável com a nossa gente simples, nossas praias, nossa terra, nosso céu, nossas estrelas. Que saudade dos filhos, pais, manos, amigos. A vontade é de voltar correndo. Assim é o desejo da gente que está fora de seu recanto, de seu lugar. Só a necessidade faz permanecer.

E para que ninguém possa dizer que eu náo (Este computador argentino náo possui o tio de náo) falei de poesia. Dois poemas belos e dotados de romantismo e beleza, o primeiro táo (De novo a falta do tio) conhecido nas nossas escolas: CANÇAO DO EXÍLIO do poeta Gonçalves Dias que fora elaborado em 1843 em Coimbra-Portugal, quando o poeta estudava DIREITO.O segundo escrito pelo poeta Cacimiro de Abreu que também morou na Europa. Cacimiro de Abreu faleceu aos 21 anos em 1860.



Canção do exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;

(...)











MEUS OITO ANOS




Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

SAUDADE DO BRASIL

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

SANTA EVITA

EVITA PERÓN


Estamos mais uma vez, viajando a Buenos Aires. As aulas do curso de doutorado começaram hoje. Vou chegar atrasado. Coisa que eu não gostaria, mas viajar para a Argentina está mais barato do que viajar em terras brasileiras. Na agência, que eu comprei as passagens, havia uma grande fila de passageiros à Terra de Evita Perón. Evita morre cedo. Mulher do presidente Domingo Perón. Amada, idolatrada e polêmica. Quando Eva morreu em 1952, o povo Argentino chorou e ainda chora com o NÃO CHORE POR MIM ARGENTINA. Fui lá no Senhor Tango e o espetáculo termina com o NÃO CHORE... Até o sujeito machão chora. Estou lendo o livro Santa Evita de Tomás Eloy Martinez. Um dos maiores escritores do mundo, Gabriel Garcia Márquez disse do livro:

"ENFIM, O ROMANCE QUE EU SEMPRE QUIS LER."


Daqui a poucos instantes, estou viajando a Buenos Aires. E chega a lembrança do cantor cearense BELCHIOR:


"FOI COM MEDO DE AVIÃO, QUE EU SEGUREI PELA PRIMEIRA VEZ EM SUA MÃO." Ao meu lado uma velhinha aparentando 80 anos. Uma tosse daquelas...

Ninguém escolhe a companhia em avião. Na vida, a gente escolhe e muitas e muitas vezes não dá certo. O erro e o acerto são ingredientes do viver.

domingo, 17 de janeiro de 2010

POBRES PUTAS

Pintura de Tintoretto - artista italiano. Que se notabilizou pelas grandes pinturas nas Igrejas.


Por muito tempo advoguei no interior. Fui advogado das meninas do Cabaré do Bico-da-Asa e também da Maré Mansa na cidade de Simão Dias- SE. A liberdade sexual fechou o cabaré. Nunca recebi um calote duma dama-da-noite, as meninas de vida difícil, ainda diziam que as mulheres eram de vida fácil. Tolerar um bêbado, fazer sem amor, beijar na boca de escarro, as tarefas são árduas.

Uma prostítuta do interior do passado difere muito da garota de programa dos tempos hodiernos. A coitada era botada no olho-da-rua pelo pai , onde via a virgindade como honra. Hoje, numa escola, perguntar a uma adolescente se ela é boca-virgem é uma ofensa. O tabu sexual foi jogado na lata do lixo. A liberdade sexual é a bandeira.

A Bruna surfistinha, uma ex-garota de Programa , é uma moça inteligente, escreve com ousadia. O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO é um livro que faz sucesso.


Um bom livro é Rua de Siriri do escritor Amando Fontes que retrata o cabaré de Aracaju.

As putas de outrora, o caminho era a desgraça.


A menina de programa, de agora, fala inglês, japonês, espanhol. Quando não faz faculdade, já concluiu.

E a Santinha? Coitadinha! Vai ficar pra titia.


É o sinal dos tempos, Apocalipse? Não. É safadeza mesmo.