Visitante nº

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

LUTE ATÉ O FIM


Torcida leva faixa: LUTEM ATÉ O FIM - Grande estímulo aos jogadores do Fluminense



Em 2005, o médico disse a dona Maria:


- A senhora só tem 6 meses de vida.


Dona Maria, hoje com 75 anos, ficou em desespero, veio a depressão.


Dignóstico um câncer no Útero.


Dona Maria, mãe de cinco filhos.


Dionéia, filha de dona Maria, disse:


- Mãe, médico não é Deus , a senhora vai viver mais dias.


Tinha hora que dona Maria tinha vontade de desistir.


Desespero foi quando estava chegando os seis meses.


Os seis meses chegaram , passou um ano, passaram dois, três, quatro , cinco.


Dona Maria fez tratamento, ficou totalmente curada da doença.




Vamos ao futebol, o diagnóstico matemático ao Fluminense no Campeonato Brasileiro, a possibilidade de rebaixamento era de 98 % ( noventa e oito por cento). Ontem, o Fluminense deixou a zona da morte, vencendo o Vitória da Bahia, por 4x0, gols de Alan, Fred e dois do argentino Conca. No campeonato, o Flu soma 45 pontos, o Botafogo e o Curitiba estão com 44.




O Fluminense pode não cair na cova do rebaixamento. Vencendo o Curitiba no próximo domingo, ele continua na primeira divisão.




Dona Maria e o time Flu são exemplos para o dia a dia para nós pobres mortais, devemos LUTAR ATÉ O FIM.

domingo, 29 de novembro de 2009

VAIDOSO

Uma resposta ao cabra vaidoso, que se acha eternamente.
Um simples poema do autor do blog.

VAIDOSO

Ninguém é eternamente!
Quem já não viu:
O ser vaidoso e depois
Capenga, fraco e doente!?
E o sapo na lagoa
Cantando na escura noite:
"Foi, foi, foi, foi, foi... "
Na vida, bem soa
Pisar levemente!
Outro dia, já se viu
Um homem sozinho,
Triste, abandonado no caminho...
Nem sequer do viajante ele ouviu:
"Senhor, bom dia!"
E o sapo na lagoa:
"Foi, foi, foi..."
Poder, festa e alegria.

sábado, 28 de novembro de 2009

A VIDA NO DIA A DIA

JOSÉ SARAMAGO - escritor português, já recebeu o Nobel de Literatura, um dos maiores escritores do mundo. É um autor polêmico. Vale a pena conhecê-lo.



O texto a seguir é de Oswald Abreu:
Todo dia a mesma fúria. Ramisés já estava chegando aos limites com a sua mulher Eloísa. Conversadeira, fofoqueira. uma matraca de Igreja. Reclamava de tudo.

Ramisés era operário numa fábrica de tecidos. Ganhava pouco mais de dois salários mínimos. Quando recebia o dinheiro no dia 30 de cada mês, corria para venda de Seu Manuca, ia pagar a conta do mês. Coitado! Pagava uma parte e já ficava devendo. Se não fizesse assim, não pagava a água, a luz e o material escolar de Sofia e Daniel, seus dois filhos.

Dizia ele: "Que sua vida era de jumento. Só trabalho."

Tinha um arrependimento danado de ter deixado a Paraíba, para vim morar no morro dos Macacos no Rio de Janeiro. Lá no Nordeste, ele tinha uma vida boa, lustrava sapatos na porta do mercado do cidade de Patos. Aos domingos, jogava sua peladinha e tomada sua geladinha. Morava com seu Severino e dona Cordélia, seus pais. Ambos aposentados .

Um dia, deu na veneta, desejo de morar no Rio de Janeiro. Veio com seu primo Bastião. O primo morreu em frente ao cemitério do Caju. Enterrou-se por lá mesmo. Bastião se envolveu com drogas e recebeu um tiro certeiro na testa. Não pagou ao traficante e tombou caído na calçada do cemitério.

Ramisés nunca fumou um cigarro de palha, viciado mesmo era na branquinha, uma cachaça, uma cerveja.

Pensava em voltar para o Nordeste. Faltava o melhor - dinheiro. Sonhava todos os dias, viajando para a terra natal.

Matutava: "Meu Deus, não hei de morrer aqui." Via o risco que os seus dois pequenos corriam. Sempre havia tiroteiro: polícia x traficante.


Tinha uma vontade danada de deixar Eloísa, mas as condições não lhe eram favoráveis, sem dinheiro, vivendo no barraco da mãe de sua mulher. Dinheiro para pagar um quarto e pensão alimentícia para os seus filhos , só o tinha no sonho, a realidade era crua, massacrante.

Qualquer dia, poderia fazer uma besteira com a sua mulher, já não suportava ouvir a sua voz.

O placar estava zero a zero em se tratando de sexo, há mais de 3 anos não fazia o vai-e-vem.

Depois da fábrica, só retornava tarde da noite. Ficava a bebericar no armazém de Seu Manuca.

Chegava no barraco, ainda bem, sua mulher estava dormindo. Para ferir mais o indivíduo, a sua mulher, quando dormindo, falava.

"Meu Deus, ainda essa, tenho que suportar esta matraca até dormindo."

Pensou em jogar água quente nos ouvidos de Eloísa. " É loucura, seus filhos não vão lhe perdoar, é uma besteira! Vai para cadeia, morrerá sozinho: sem família, sem ninguém. "

Veio-lhe outra besteira: ia se matar. A sujeita não serve nem para botar corno em defunto, é feia , os seios estão caídos. Assim refletiu.

Deixaria o barraco na madrugada. Desaparecia, nunca mais daria notícia. Ia para a lista dos desaparecidos.

Fez opção, por desaparecer.


Pegou os seus molambos, pobre possui pouca roupa. E decidiu desaparecer.


O que Ramisés não esperava era que ele ia desaparecer para sempre. Tiroteio entre a polícia e os traficantes. Um bala veio perdida, de quem foi o tiro não me pergunte. E a bala veio se alojar na testa do operário.

Diante do morto, Eloísa:

" Quem foi o filho da puta que matou o meu marido. Tão trabalhador. Saía na madrugada para trabalhar..."

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

AI, QUE RAIVA DE AMÉLIA

Mário Lago - Autor de AI, QUE SAUDADE DE AMÉLIA

Versos em homenagem à mulher sempre e sempre vão existir. Nos anos 30, o maior sambista brasileiro, Noel Rosa, fez poemas e canções a fêmea. O cabaré da Lapa fazia sucesso no Rio de Janeiro. O poeta Noel Rosa, que morrera prematuramente aos 26 anos - 1937, fora casado com a sergipana Lindaura, mas sua grande paixão era Ceci, dama do cabaré. "Foi no cabaré da Lapa que eu conheci você, fumando cigarro, entornando champanhe no seu soirée. (...)" São versos da DAMA DO CABARÉ, em homenagem a CECI.

Em 1942, o samba "AI, QUE SAUDADE DE AMÉLIA do ator e poeta Mário Lago e do cantor Ataulfo Alves ficou imortalizado.

NUNCA VI TANTA EXIGÊNCIA
NEM FAZER O QUE VOCÊ FAZ
VOCÊ NÃO SABE O QUE É CONSCIÊNCIA
NÃO VÊ QUE EU SOU UM POBRE RAPAZ

VOCÊ SÓ PENSA EM LUXO E RIQUEZA
TUDO QUE VOCÊ VÊ VOCÊ QUER
AI, QUE SAUDADE DE AMÉLIA
AQUILO SIM É QUE ERA MULHER

ÀS VEZES PASSAVA FOME AO MEU LADO
E ACHAVA BONITO NÃO TER O QUE COMER
MAS QUANDO ME VIA CONTRARIADO
DIZIA: "MEU FILHO, O QUE SE HÁ DE FAZER?
AMÉLIA NÃO TINHA NENHUMA VAIDADE
AMÉLIA É QUE ERA MULHER DE VERDADE



Mário Lago fez o poema inspirado na vida duma empregada doméstica que labutava na casa da cantora Aracy de Almeida.

Amélia no dicionário significa: Mulher que perdoa,mulher amém, que é tolerante.


A mulher de hoje não é mais a submissa, trabalha e vai à luta.


No ano de 2008, segundo o IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA) 71,7 % dos pedidos de separação judicial foram de iniciativa das mulheres.

A mulher amém, tolerante, que aceita tudo nos tempos atuais, podemos bem encontrá-la nas canções em louvor à mulher. Dizer que não existem exceções é um absurdo.

A mulher moderna possui um novo perfil.


Amélia coitadinha, Amélia que não vai ao salão, Amélia que aceita a fome, Amélia submissa. AI, QUE RAIVA DE AMÉLIA.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O CACHORRO PIXOTE

Quadro de JAN VAN EYCK - Pintor do século XV

Pixote nasceu no Beco. Beco das amarguras, do prazer, de mulheres de vida difícil, ainda dizem mulheres de vida fácil. Pobres putas! Coitadas das rameiras, das raparigas. O Beco dos Cocos fora um dia lugar dos cabarés. Hoje o Beco dos Cocos é zona comercial de Aracaju-SE.

Pixote nasceu numa caixa de papelão. Bem poderia ter nascido gente, mas o destino quis que fosse um pequeno cachorro pinscher. Quando nasceu parecia um pequeno ratinho. Poderia ser presa de um gato.

A mãe de pixote, uma pequena cadela pinscher. Pixote, filho único. Na raça animal, o filho único não é lá de muito cuidado, de muito trabalho. A natureza cuida e cuida bem.

O dono do animal era um catador de papelão. O homem vivia no Beco. Dormia nas calçadas. Cachorro e dono dormiam juntinhos. As dodocas também adormecem.

Pixote cresceu e viveu no Beco. A necessidade fez Maneca vender o animal. Vendeu-o para a cabeleireira Dulcinéia.

Dulcinéia vivia só. Pixote veio preencher o vazio solidão. Dulcinéia quarentona. Muitos amores, decepções. O sonho maior era o casamento, já não se iludia. As meninas não estão casando, imagine: Uma mulher de quarenta anos. Assim pensava Dulcinéia.

No salão, a fofoca rolava. O desabafo das mulheres.

- Meu marido, parece que tem outra.

- Mulher, homem é assim mesmo, de início é bom, depois vira Satanás.

Se fosse para trocar Pixote por um ser humano, Dulcinéia não faria tal câmbio. Adorava Pixote, o via como se fosse gente.

Dulcinéia e seu cachorro. O cachorro e Dulcinéia. Onde fosse Dulcinéia, ia também Pixote.

No salão, o animal mordeu cinco mulheres. Mordidinha de leve.

O animal tinha um dom natural. Percebia quando uma mulher estava mentindo. Já imaginou um salão de cabeleireira sem uma vantajinha de uma fêmea para outra fêmea. Uma mentirinha, de vez em quando, não faz mal a ninguém. Só que no salão de Dulcinéia, havia um aviso:

" POR FAVOR, NÃO MINTA, O CÃO PODE LHE MORDER."

De início, Dulcinéia foi perdendo clientes, mas no bairro Terra-Dura a boa era Dulcinéia. Houve retorno da clientela.

As mulheres sofriam com a presença de Pixote. A dona não abria mão do animal no local de trabalho.

Uma coisa compensava: As mulheres saíam bonitas, encantadoras para a noitada na praia de Atalaia.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A PREPOTÊNCIA E A ARROGÂNCIA


Há gente que pisa, há gente que humilha, há gente que pensa que é eterna. E usa a prepotência como grande arma. Maldita prepotência! Que fere, que machuca, que maltrata. Imagine! Se os arrogantes e prepotentes fossem eternos? Que bom! Não são.

Elaboramos um pequeno poema: A PREPOTÊNCIA E A ARROGÂNCIA





AS FLORES UM DIA PERDERÃO O ENCANTO,
COLHIDAS DUMA BELA PRIMAVERA,
PARA AMENIZAR O PRANTO
DE UMA VIAGEM ETERNA.
A VAIDADE E A ARROGÂNCIA
DE DETERMINADAS ALMAS SÃO CANTOS
DE UMA CATEDRAL DE GENTE SEM FÉ.
E A GENTE VÊ EM TODA ERA
QUE POR MAIS VALENTE A FERA
FICARÁ INERTE ,
ADORMECIDA NUM CANTO.
OS SINOS DOBRARÃO TRISTEMENTE,
ANUNCIANDO QUE CHEGOU O DIA!
E MUITA GENTE QUAL ROSA VAIDOSA
MURCHARÁ AO SOL DE VERÃO.
UM SOL POSTO
DARÁ O ÚLTIMO ADEUS.
NA MANHÃ SEGUINTE,
UMA GENTE SEM DOR
NÃO CHORARÁ...
SEM LUZ, A ARROGÂNCIA E A PREPOTÊNCIA
VIVERÃO EM TREVAS
E UMA GENTE SEM AURORA
FICARÁ DEITADA ETERNAMENTE.
NINGUÉM PODE FESTEJAR OS ADORMECIDOS,
TODO GUERREIRO SERÁ VENCIDO!
ORA, ORA, O RELÓGIO DIRÁ A HORA.

Poema de Oswald Abreu

RUA DA AURORA

AURORA


Ninguém pode fugir das lembranças do tempo de criança.

MUDARAM O NOME DA RUA DA AURORA.
RUA DE OUTRORA
DE GENTE HUMILDE,
DE MULHERES CASADAS,
DESILUDIDAS E PERDIDAS.
Ó VIDA, COISAS DA VIDA!
SAIA DE CENA,
NINGUÉM PODE ATIRAR PEDRAS NAS MADALENAS.
O PERFEITO NÃO NASCEU!
AURORA NOME DE MULHER
OU DA CHEGADA DO AMANHECER.
AURORA, QUEM SOUBER A ORIGEM
POR FAVOR! VENHA ME DIZER?
RUA DE CONVERSAS NAS CALÇADAS,
DE FOFOCAS TAMBÉM.
A VIDA CORRIA DEVAGAR...
COMO TODA CIDADE DO INTERIOR.
SEU ERA A MESMA COISA DE SENHOR.
O TLIM-TLIM-TLIM DO SINO DA IGREJA
SE OUVIA MAIS INTENSAMENTE!
RUA DE FUNDO DE QUINTAL.
O LEITEIRO GRITAVA ALEGREMENTE
- ÓI O LEITE! QUEM VAI QUERER ?
COMPRAVA DONA MARIA,
SEU ZÉ DA BARBEARIA.
VIAJOU DONA MARIA,
FOI EMBORA SEU ZÉ ,
VIAGEM DO NUNCA MAIS.
O CARROCEIRO VINHA DEVAGAR...
PRA QUE TANTA PRESSA?
QUEM TEM MENOS,
QUEM TEM MAIS,
QUEM NADA TEM
TODOS SERÃO NINGUÉM.
AI, AI, MEU BEM,
OS AMORES DA ALCOVA
SERÃO ENTERRADOS NUMA COVA.
O BEIJO SERÁ SAUDADE,
O ABRAÇO, LEMBRANÇA.
A RUA DA AURORA ,
RUA MAIOR DA MINHA INFÂNCIA!
RUA DA AURORA,
AURORA NÃO DEIXA DE SER.
OS HOMENS MUDAM,
TROCAM DE LUGARES,
ASSASSINAM A ESPERANÇA.
AURORA PERMANECE!
NA PLACA, MUDANÇA.
MAS NO CORAÇÃO DE MINHA GENTE
AURORA NÃO DEIXA DE SER.
E A VIDA CONTINUA DEVAGAR,
VIDA DO INTERIOR.
QUEM CORRE, CANSA!
QUEM CANSOU, CORREU.
RUA DA AURORA,
AURORA SEMPRE E SEMPRE
É O DESTINO SEU.

Poema de Oswald Abreu