Visitante nº

domingo, 22 de abril de 2012

DOMINGO DE DESEJO

Naquele domingo, Inácia resolveu matar a curiosidade. No ginásio Carvalho Neto, em sua sala de aula, era a única donzela. As outras meninas da mesma idade já tinham conhecido o prazer, o bicho homem na cama. Inácia, apesar de virgem, não era tão santinha, se pudesse falar as quatro paredes de seu quarto e até o banheiro da escola, diriam que ela se tocava. Não gritava para não chamar atenção, mas o desejo era de urrar como uma leoa.
O nome Inácia Bispo da Silva Santos ela odiava. Sua colega Judite:
- Naninha, seu nome é horrível, nome de pobre.
Ainda bem, que era conhecida por Naninha. Apelido dado por sua avó, dona Matilde.
Quando a professora chamavam os nomes, visando observar os presentes e ausentes, que dizia:
- Inácia Bispo da Silva Santos.
- Presente, professora. O presente era uma alfinetada no coração de Inácia. Por que meu pai escolheu este nome feio. O pai nunca disse. E a mãe nunca soube. Quem sabe se não foi o nome de uma mulher que o pedreiro Severo amou, quando estava em São Paulo. Uma paixão entocada, bem escondida n'alma, coisa que acontece muito nos casais.
Naninha estava triste de sua rotina. Queria sumir. Aos domingos, ia para Igreja, no dia a dia, depois da escola, varria a casa, lavava a roupa de seus três irmãos. A mãe saía bem cedo, nos primeiros raios de sol, trabalhava em uma casa de família na cidade de Lagarto, da gente dos Pratas.
Inácia queria se entregar, mas não a qualquer homem, tinha seu namoradinho, Miguel. O sujeito até que tentou por várias vezes, porém, Inácia sempre resistiu. Deixar, deixava tocar nos seios, nada além disso... Amamentar vá mamamar nos peitos de sua mãe. Dizia Inácia.
Miguel, apesar dos 18 anos, já tinha o seu dinheirinho. Trabalhava como feirante aos sábados e nas quartas-feiras na feira de Simão Dias. Com economia, comprou uma moto.
E, naquele domingo, às 2o horas, na entrada do motel, um caminhão, carregado de cabras e bodes , bateu na moto do rapaz. Inácio foi para o hospital, mas não teve jeito, viajou para o céu.
Inácia sofreu um pequeno arranhão e ficou para contar historia.

sábado, 21 de abril de 2012

BODE BITO


O ser humano é animal frágil. Depois de um ano é que vai andar. Sempre dependente de pai, mãe.
Muitos e muitos até 25 anos estão sob a saia da mãe, sob o arrimo do pai. Casa, buscando a cara metade, a cara metade não existe, vem a decepção, busca o divórcio.
Vê a natureza, o nascimento de um cabrito, nasce, cai, levanta e anda. Aos seis meses , já é um bicho independente.
Vi recente, lá no sertão, na querida cidade de Poço Verde, sertão de Sergipe, o nascimento de um cabrito. Depois de poucos instantes da luz, o pequeno ser estava andando, mamando nas tetas de sua mãe, dona cabra.
Inspiro-me a fazer um poema:
Nasceu.
Abriu os olhos ao sol.
A mãe lambeu
O corpo de placenta.
Ao brotar feriu a venta.
Enxergar é para poucos...
O anjo fez o parto,
Mas o louco viu.
E quem vai acreditar na loucura...
Tentou levantar, caiu.
Porém, o animal não desiste
Ser humano é fraco.
O bicho levantou, caiu,
Caiu, levantou.
Tropeçou, caiu.
E, agora, andou, andou.
O menino riu ao ver o cabrito,
Do ser veio o grito
É macho, é macho.
É um bodinho, bode bito.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

SE VOCÊ FOSSE MINHA RAPARIGA

O Zé não era um doido qualquer. Era um maluco criativo. Chamava o senador Valadares de Cabecinha de Ouro. Quando bebia umas e outras era intolerável. Sem a branquinha, era criativo, inteligente. O Zé já foi para a cidade dos pés juntos. E o juiz Zé Emidio também viajou ao recanto do não volta mais. Mas vamos ao caso.
O Dr. José Emídio era um juiz espituoso. Vinha da capital sempre na marinete, que tinha como cobrador Seu Didi. Partiu também para o além.
O Dr. José Emídio foi por muito tempo juiz de Simão Dias-SE. O magistrado não ficava trancado no gabinete. Sempre dava caminhadas nas ruas dos capa-bodes.
E não é que Zé encontrou o juiz e indagou:
- Doutor juiz, uma comparação o senhor é minha rapariga, viajo a São Paulo, deixo o senhor com dois filhos, quando volto o senhor está com três. De que é o filho, DOUTOR.
O juiz nada respondeu. Com o afastamento do maluco começou a rir.
Os cabarés Bico-da-Asa e Maré Mansa viviam em fase áurea, de sucesso, quando o Dr. José Emídio estava lotado na Comarca de Simão Dias.
Fui por muito tempo advogado das pobres putas.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O POETA MINISTRO CARLOS BRITTO

MINSTRO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Carlos Ayres Britto
Fui aluno na Universidade Federal de Sergipe do poeta e professor Carlos Ayres de Brtito. Carlinhos, para os parentes, os amigos e mais chegados. O ministro e poeta foi professor de Direito Constitucional. O doutor Carlinhos , cortês e amigo dos alunos. Não foi uma, nem duas, nem três vezes que íamos bebericar uma boa cerveja com Carlos Britto e sua companheira Rita. Carlos Brtto tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal. O homem de Propriá, cidade banhada pelo rio São Franciscio, não caiu na armadilha da toga e nem na vaidade da roupa escura, continua humilde e simples.
Carlos Britto, poeta e escritor.
Hoje é a posse de Carlos Ayres Britto como presidente do Supremo Tribunal Federal. Ao professor e poeta Carlos Brito nossos votos de sucesso e parabéns.
E lá vai um poema do ex-aluno:
Haverá um dia que o ministro do Supremo Tribunal Federal
Carlos Ayres de Britto
Deixará a toga
Mas o poeta continua na alma e tem o grito:
Poeta sempre será poeta
Ministro tem a sua despedida
Com a sentença de aposentadoria
Carlos Ayres Britto
Será sempre Carlos
Pode ser Drummond
Pode ser Ayres
Pode se Andrade
Pode ser Britto
Itabira está no mundo
Propria também
O rio São Franscisco nasce em Minas Gerais
Mas passeia em Propriá
Uma coisa separa da gente
Une por ser Brasil
Mineiro ri da gente
Oxente
E a gente ri de uai

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O DIA DE AMANHÃ

Ainda ontem foi o enterro de meu amigo Luiz Antônio Barreto. Jornalista, de mão cheia,, folclorista, historiador e membro da Academia de Letras de Sergipe. Nascido na mesma cidade em que nasceu Silvio Romero, Laudelino Freire e Aníbal Freire , todos estes foram da Academia Brasileira de Letras, Lagarto-SE foi onde nasceu. Luiz Antônio foi um dos diretores do Jornal Gazeta de Sergipe, Secretário da Educação e Cultura. Um pesquisador incansável e o melhor de Sergipe. Criador do Instituto Tobias Barreto que fora repassado para a UNIVERSIDADE TIRADENTES do próspero reitor Dr. Uchoa. Escreveu livros referentes à vida de Tobias Barreto e de Sílvio Romero. Como pesquisador, trabalhou na Fundação Joaquim Nabuco em Recife.
A cidade de Lagarto completa 132 anos e entre os homenageados está Luiz Antônio Barreto, caderno especial de Lagarto - CINFORM, folhas 14 , texto de Rusel Barroso.
Escrevemos um poema sob inspiração do amigo Luiz.
O DIA DE AMANHÃ
A vida é fugaz,
Teu menino já é rapaz.
O instante se foi,
O segundo já não volta mais!
O relacionamento a dois
O divórcio desfaz...
A felicidade n'outro
O homem louco
E verazes amigos, poucos!
O que vale mais
Viver cada momento,
A vida, folha ao vento,
Um trapezista que cai...
E o que vale mais
Um samba, um pagode, um forró...
Viver bem melhor!
Ser criança, ser menino
Torcer pro Fla, Vasco, Flu
Ou qualquer outro futebol...
Viver, viver, viver e viver...
Amanhã não se sabe
Se verás o nascer do sol.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

TERRA DURA E A REBELIÃO

SERGIPE NÃO É SÓ REBELIÃO, VÊ O BELO PÔR-DO SOL na praia de Atalaia


Uma rebelião começou no Complexo de Segurança Máxima lá no bairro discriminado, chamado Terra Dura . O Bairro, segundo o IBGE, pertence ao município de São Cristóvão, porém por muitos anos é de Aracaju, que foi considerada a Capital da Qualidade de Vida. A Terra Dura possui outro nome Santa Maria, mas na linguagem do povo é Terra Dura. E Terra Dura nasceu, Terra Dura vai morrer. Afinal, a língua é criação do povo.
Os presos querem a exoneração do Diretor. Uma mulher de prisioneiro, disse que só se come galinha.
Vamos olvidar da galinha. A Terra Dura não é somente Terra de Ninguém, mas lá há dezenas de estudantes fazendo faculdade. No Bairro, há supermercados, comércio, posto de gasolina, posto de saúde e o Fórum da 7a. Vara de Assistência Judiciária.
Esgotos a céu aberto também existem.
É preciso não esquecer que da boca que beija, esta mesma pode ofertar o escarro.
E para não dizer que não falei do poeta, bom lembrar o paraibano Augusto dos Anjos: " O BEIJO É A VÉSPERA DO ESCARRO."




Esperamos que a rebelião tenha o seu fim sem morte.




quinta-feira, 8 de março de 2012

MULHER DE VERDADE

SANTA JOANA D'ARC

A mulher ideal dos anos 50 era a que sabia lavar e cozinhar. A mulher dos tempos hodiernos é a outra, a mulher de luta e batalha. Ai, QUE SAUDADES DA AMÉLIA, samba brasileiro cantado por Ataulfo Alves , cujo compositor é o ator Mário Lago, já falecido, fez grande sucesso. No samba : " NUNCA VI FAZER TANTO EXIGÊNCIA (...) AMélia que era mulher de verdade, não tinha nenhuma vaidade (...)

A mulher moderna é exigente, no dia a dia, luta em condições de igualdade com o homem. A mulher do amém não é a ideal. A mulher de verdade vai à luta. É guerreira, é mãe, é mulher.

VIVA O DIA ESPECIAL, DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

PARABÉNS, MULHERES.