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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MORTE E VIDA

Conhecer a morte? Quem nunca viu um ente querido partir de pés juntinhos, bem caladinho num pequeno ou grande caixão? E, nesse instante de dor, lágrima e sofrimento, a gente não quer pensar, mas o pensamento, animal bravio, sem rédea, chega à mente e dá uma alfinetada:
"Quando será o dia da nossa derradeira partida?" Assusta, é claro, falar em tal assunto. O tema causa temor, medo, angústia. Entretanto, ninguém foge do último dia.
Conhecer a vida? Todos os dias a aula continua... Os erros da aula da vida são exemplos que servem de orientação, de farol para o bom andamento do viver.
É tão difícil o ser humano não possuir um vício. Vício de comer, beber, de fumar e tantos e tantos outros. Os nossos vícios levam-nos à morte. Sabemos do mal que eles fazem, evitá-los e combatê-los não é tarefa fácil. Mas quando se quer a pessoa chega ao objetivo. É preciso lutar contra os vícios.
Há tantos mistérios entre a vida e a morte, entre a morte e a vida. Um coisa é bem certinha, sem incógnita: todos morrerem, sem distinção, sem discriminação entre pobres e ricos, brancos e pretos, a dona morte é senhora da igualdade. Escolhe e não oferta privilégio.
Então, enquanto houver vida, vamos viver, viver e lutar para o bem melhor, porque ficar parado e não procurar o bom caminho é abrir uma passagem para o desânimo.
A VIDA É ÂNIMO, LUTA, MOVIMENTO. NÃO LUTAR, JÁ É MORRER!

sábado, 9 de janeiro de 2010

30 ANOS DE HISTÓRIAS E SAUDADES

Colégio Agrícola Benjamin Constant - Atualmente Escola Agrotécnica de São Cristóvão-SE


Trinta anos de Histórias e Saudades - 1979 a 2009, éramos meninos do interior. Entramos no Colégio Agrícola Benjamin Constant, Quissamã-SE no ano de 1977. Na bagagem de cada um de nós a esperança, a nova vida, saída do interior para o internato.


Era difícil o sujeito não ter um apelido. O campeão em colocar alcunha era o Pedrinho Balbino, um ex-deputado estadual de Sergipe e ex-prefeito da cidade de Tomar do Geru. Entre os apelidos: Peru Donzelo, Pneu Cheio, Rita Lee, Pancho, Oveiro Baixo, Forró Pesado, Gostosa, Ator, Macarrão, Preguinho, Mira-mira, Tenente, Clodovil, Véio, Torroio, Bafo-de-onça, Bolota, Gatinha, Nego Peido, Sapo Lunar, Paturi, Pisa Macio, Pistoleiro, Pintinho, Cavalete, Malamanhado, Manteiga, Socó Boi, Todo Feio, Alface, Batatinha, Déner, Bonitão, Neguinho, Estaca, Águia Diapenada, Troglodita, Frosco.


Muitas cidades do interior de Sergipe não possuíam o segundo grau - ensino médio. Hoje, é rara a cidade que não o possui. Embora a qualidade de ensino está precisando de remédio, de cura.


O idealizador de reunir a turma foi Pedrinho Balbino. E estamos reunidos na Pousada do Padre no povoado Porto do Mato, em Estância-SE.


Os meninos de outrora atualmente são homens de cabelos brancos: pais, avós, frutos amadurecidos.


E todos se tornam meninos em recordar os tempos que não voltam mais: dos colegas, professores, funcionários, do cabaré Pisa-no-Freio, da noite da caganeira, de fugir para Aracaju, da Cascatinha, da Iara, do Cacique Chá, dos furtos de merenda, sem condenação, já houve a extinção da pena, o riso e a recordação foram lembranças salutares.


Imagine: O macarrão , um pé torto da vida, agora é pastor. Deus sempre fazendo milagres!




"A vida é uma roda-gigante," o encontro da turma do colégio agrícola prova que a roda não quebrou.


Na vida, a qualquer momento pode haver o encontro.
Tristeza maior é quando o encontrar já não é mais possível.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A UM COMPANHEIRO

A CIDADE DE BUENOS AIRES - CAPITAL DA ARGENTINA


A traição, a decepção, a ingratidão fazem parte da rotina do dia a dia. Em um barzinho de Buenos Aires, meu amigo Simão pediu um poema A UM COMPANHEIRO e assim eu escrevi no frio de setembro do ano passado:




A VIDA, COMPANHEIRO,
É UM SOBE-E-DESCE!
CHEGASTE AO PODER
A CADA NOVO SOL
NÃO PERCEBES?
ESCORREGAS NA DESCIDA.
SEM DÓ!
DE QUEM AJUDOU A SUBIR
OLVIDASTE.
MALDITA INGRATIDÃO!
APLAUSOS, APLAUSOS, APLAUSOS
AQUELE QUE LABUTOU TUA DESGRAÇA
DESTE UMA ESTÁTUA NA PRAÇA!
COMPANHEIRO, TUDO É FUGAZ!
ROMA, MAIOR IMPÉRIO!
É UM CANTO DE QUEDA
AI, AI, AI, AI...
VÊ O CÃO PERDIGUEIRO
ESTÁ ALI AO LADO DO DONO,
UM MENDIGO DE RUA,
SEM DECEPÇÃO!
SEM ABANDONO!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ESTRIAS E CELULITE DA MULHER

Pintura de William Adolphe Bouguereau - francês. Nasceu em 1825 e morreu em 1905.

Gabriel, quando jovem, fora atleta. Estava coroa, passava dos quarenta anos. Aquela barriguinha de cerveja, de descuido estava bem acentuada. Dolores, sua mulher, sempre vaidosa. Sempre presente no salão Beleza Pura. As más línguas diziam que o salão deveria se chamar FOFOCA SEM FRESCURA.

Dolores era uma mulher bonita. Mãe de dois filhos: João Gabriel e Vitória. Apesar de ter amamentado os dois meninos, os seios de Dolores não caíram. E dizia orgulhosamente no salão:

_ Filho não derruba peito.

Sílvia, de peitos caídos, não dizia nada. Fica irritada e com inveja.

Nas brigas de Gabriel e Dolores, ela o chamava de barriga de sapo.

Ele até ria. Sílvia se irritava. Era o que ele queria.

Gabriel, apesar do riso, não gostava do xingamento da mulher. A verdade machuca, não deve ser dita. Barrigudo estava, mas ninguém gosta de ouvir o seu defeito. Os feitos fazem bem, mas as irregularidades causam transtorno.

O diabinho fica querendo ver a casa pegar fogo. Antes de ir trabalhar, ficou vendo um programa de televisão de Ana Braga que falava de Estrias e Celulite da Mulher.

Pensou: "Ela vai me pagar a dívida da ladainha de barriga de sapo, barriga de aluguel, barriga de gravidez."

Mais uma briga do casal. E lá vinha Dolores:

- Seu barriga de sapo, barriga de merda

- Mulher, não acha que você já está esculhambando demais?

- Que demais! Barriga de sapo, barriga de merda.

- Dolores, eu nunca lhe disse que você é cheia de estrias e celulite.

A mulher caiu em pranto, se trancou no quarto e chorou muito.

Depois daquele dia, Gabriel nunca mais ouviu: "Barriga de Sapo."

E no dia a dia de Dolores, sempre vinha a maldita lembrança:

"Dolores, eu nunca lhe disse que você é cheia de estrias e celulite."

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

MORTE NO ANO NOVO


Já são mais de 41 pessoas mortas na tragédia de Ilha Grande e Angla dos Reis. Em 2002, foram 39 mortes.

O ano novo tem o canto de alegria, todavia, há um canto de dor, de tristeza, de angústia, de morte.

Eu me era menino no interior. Lá na terra em que nasci, Simão Dias-SE. Na rua de Feira, feirinha do Natal. O parque, crianças brincavam nas ondas de Raimundo do Picolé, no Carrocel de Messias de Serra. Pisca-pisca, bolas azuis, vermelhas.

Uma multidão estava presente na Av. Coronel Loyola, conhecida como rua da Feira. Homens jogavam pios, dados. A sorte estava lançada. O dinheiro é bom, bom demais, mas causa dor, morte.

Acrísio de Major jogava com Mário de Iêda. De repente, confusão, tiros.

Mário assassina Acrísio. Vi Acrísio antes de morrer. Assistir à morte de Mário na esquina de Seu Inocêncio Nascimento. Quem matou? O homem continua em silêncio, igual a criança. Não vale a pena.

Direi que foi um corre-corre geral, mulheres gritavam, homens caíam, mas o dano maior, foram as duas mortes.

Eu com a minha roupinha branca não pode festejar a entrada do ano novo.

Fui ver a saída dos dois caixões.

O silêncio do menino foi mantido. Menino não pode comentar coisas ruins de gente grande. Menino é alegria, festa.

Todos os dias, vejo a dor, o sofrimento das testemunhas na rotina de Defensor Público.


Ninguém pode testemunhar a minha dor na entrada do ano novo na praia de Atalaia, fogos subiam ao céu, cumprimentos de homens e mulheres desejando um FELIZ ANO NOVO e vinha a triste lembrança das mortes em Simão Dias-SE.


Todos os anos, os familiares de Ilha Grande e Angla dos Reis vão sentir na pele as tristes recordações da tragédia.

Na alma, a saudade, a lembrança de mãe, um filho, um pai, de um amor e a dor maior do evaporar de um sorriso de uma criança.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A BELEZA DA BARRAGEM DE LAGARTO-SE


Não conheço pessoalmente o sr. Floriano Fonseca, mas sei que é filho do escritor, que bem escreveu a História de Lagarto-SE, o saudoso Adalberto Fonseca. O livro do homem nascido em Campo do Brito, já o li, por mais de uma vez. Um bom presente de meu amigo Emerson Carvalho, que alma humana! Gostei da frase do sr. Floriano:


"ÀS VEZES A BELEZA ESTÁ TÃO PRÓXIMA DA GENTE E NÃO NOTAMOS." Diz ao se referir à Barragem Dionísio Machado.


O sr. Floriano disse isso dotado de razão, senão vejamos:


Quantas e quantas vezes já viajamos a Aracaju, Salvador na Barra e Rio de Janeiro em Copacabana para contemplar o PÔR-DO-SOL e, lamentavelmente, olvidamos de admirar o que é nosso, de beleza e encatamento que é o Pôr-do-sol na barragem Dionísio Machado, ela fica tão pertinho da cidade. Como diz o meu amigo Zé:


"UM SARTO" Vale a intenção, vem lá você com esta besteira de dizer que a palavra certa é SALTO, a linguagem é uma criação do povo, filólogo não cria, copia.


Falar em dicionário, a gente logo lembra de Aurélio Buarque, mas houve um tempo que o nome em destaque era Laudelino Freire. Ele nasceu em Lagarto e foi presidente da Academia de Letras do Brasil em 1935.

A UM AMIGO FUMANTE


Todos nós temos um vício. O vício da gula, de beber, de fumar. Raro é alguém não possuir um vício, até os arrumadinhos, gravatinhas não fogem da regra. O ser humano perfeito nasceu defunto.

A um amigo fumante, escrevemos estes versos:

Amigo fumante
O cigarro é teu companheiro
Vê lá tanta fumaça
Repleto está o cinzeiro
Cinzas e mais cinzas
O não fumante dirá:
"Cigarro é coisa sem graça."
Nós todos temos um vício
Fumar dá câncer
Fumar mata
Fumar cansa
As palavras são fartas
De conselho a vida está repleta
O poeta Noel Rosa
Apaixonou-se por Ceci
Dama do cabaré
O feio Noel
De cerveja e mulher
Será que no céu
Há algum vício?
Imagine: todos certinhos,
Bem arrumadinhos
Todos de branco
Pisando sem tamanco
É boa a vida de santo?
Lá no paraíso
Não é lugar pra gente humana
Há lotação no inferno
O eterno nada faz à toa
A fumaça voa
Ela é a vida
Quem nesta vida
Não possui um vício
Ó minha querida
Deixa disso
Meu companheiro fumante
Fume até morrer
Viver é vício
A morte é certinha
Deitadinho no caixão
Pés juntinhos
Um choro aqui
Outro choro acolá
Há gente que não chora não
Se tu fumas
Não fumo
Tenho meu vício
Dele consumo
Amar aquela mulher
Que não me ama não
A vida é contraste
Cedo parte
Quem não deveria
Difícil é a resposta do criador
Amigo, mantenha o teu vício
Se queres deixar, parabéns!
A gente sempre tem
Um defeito
O mais-que-perfeito
Não nasceu
Não conheceu a luz
Adormeceu para sempre no breu.