Visitante nº

sábado, 4 de abril de 2009

TRAGÉDIA

Não se assuste! Caso aconteça uma nova tragédia em Simão Dias. O rio Caiçá, da nossa história, ele passa dentro da cidade de Simão Dias. O Caiçá está sujo, repleto de lama, com animais mortos, nas margens do rio existe uma lixeira. Outrora, a gente simples pescava no rio. Saciou a fome de muitos.

Em 28 de fevereiro de 2004, aconteceu a tragédia. Muitas famílias desabrigadas, perderam seus móveis, suas casas. Choro, dor, lamento e o grito invadiram a alma humana. O lamento era geral: AI, MEU DEUS!

Pobre de dona Belita, tia do senador Valadares, foi auxiliar os desabrigados e morreu no local. Senhora alegre e brincalhona. Uma alma boa. Que Deus a tenha no céu. Esta merece o paraíso.

De lá para cá, nenhuma providência foi tomada em prol do rio de nossa HISTÓRIA. O Caiçá grita por SOS - socorro. Pensar que estamos isentos à uma nova tragédia, é ilusão. É mister salvar o Rio Caiçá.

REVITALIZAR O RIO CAIÇÁ É O MELHOR REMÉDIO, SENÃO VEM O TÉDIO.

A BOCA VIRGEM E O SEMINARISTA

A vida corria sem pressa na cidade do interior. Aos domingos, missa na matriz. Passeio na praça. O som alto de um carro de um jovem . A velha Matildes a gritar:

- Falta de polícia, a gente não pode nem bater papo com a vizinha.

Dona Raimunda replicava:

- É a juventude de hoje, respeito é coisa ultrapassada.

A outra:

- É o fim do mundo.

Mas vamos ao que interessa sem muita enrolação. A nossa ilustre é Mariana. Filha do cabo Jesus da polícia militar de Sergipe. De Jesus só o nome, porque o homem de farda era sem- vergonha, safado, descarado, mulherengo, raparigueiro. 0 dicionário Aurélio Buarque de Holanda se segure. A lista é grande de sinônimos. O cabo via na filha de 15 anos o pagamento de suas dívidas. Quantas mulheres o cabo enganou. Promessa de casamento nem se fala. Iludia as coitadas e depois adeus. O cabo, quando jovem, tinha prazer em possuir uma virgem. Naquele instante, que via o sangue molhar o lençol, estava realizado, era o homem mais feliz do mundo. Quase todas as cidades que ele andou , o mesmo espalhou sementes. Filhos eram quinze. Propriá, Lagarto, Cedro de João, Pinhão, Poço Verde, Rosário do Catete e Simão Dias tais cidades constituíam a prole do cabo Jesus. Jesus falava mansamente. As mulheres ficavam apaixonadas com a educação do militar. Fino, educado, gentil. Com o preso, o cabo Jesus era uma fera. Criminoso era para apagar. Só não batia mesmo era em homicida. Pensava:

"Todo homem é assassino, depende da ocasião."

Ladrão caia na pancada, até larápio de furto de galinha. E o cabo dizia:

"Se quer ser ladrão, vá ser de coisa grande. De todo jeito é ladrão."

E a filha do cabo, Mariana era a mais bonita da sala. Cintura fina, cabelos longos, olhos da mata virgem, a parte do fundo era avantajada. Herdou do pai o falar pausadamente. De dona Lepoldina, sua mãe, vieram os traços da beleza.

Os moleques da escola, que nada, os meninos do colégio, moleque é coisa do passado, era o nome que o senhor de engenho colocava no menino filho da escrava. Eram perdidos os senhores de engenho, para passear as suas branquelas, mas para o prazer as negras de sangue quente. Voltemos a Mariana, todos eles a desejavam , ia esquecendo sempre há exceção, o Salvinho nem para chegar perto, tinha lá suas delicadezas de flor.

Mariana ficava com o semblante repleto de sangue, quando as coleguinhas a apelidavam:



"Boca-virgem, vai ficar pra titia.''



Intimamente ela dizia: "Abestelhadas, dá pra qualquer um é fácil. Saber dar são outros quinhentos."



O sonho de toda menina era seduzir o seminarista Godolfredo. O menino queria ser padre. Diziam elas:

"Que pena! É um esperdiçio."

Godolfredo tinha 18 anos. Alto, moreno, cabelos lisos, corpo atlético. Dizer que foi para o seminário donzelo é mentira. Era macho de umas seis relações amorosas. Viu no seminário o meio de estudar, a bem da verdade, vocação mesmo não é bom falar...

O jovem seminarista ao ver Mariana teve um desejo maior do que os outros. Ali era uma coisa diferente. Na praça do Barão, conheceu Mariana. Depois de 10 dias. Ambos estavam nus na casa da tia de Mariana, dona Eleá, beata de carteirinha. E que confiou deixar a jovem sobrinha com o seminarista batendo papo. Ele não só bateu papo, como papou. Corpo e cheio igual ele nunca tinha visto. Só o de Mariana. Que menina, podem babar. Cuidado! Com polícia não se deve brincar. Foi um deus-nos-acuda, para limpar o lençol, ainda ficou a marca do crime. Falou Mariana a Tia:
- Tia menstruei e deitei um pouco em sua cama e quando a regra vem, a cólica é forte.
- Não tem problema não, minha pequena.

Entretanto, lá na escola, as meninas não perdiam tempo:

"Boca-virgem, vai ficar pra titia."

Mariana não enrubesceu, deu um leve sorriso. A Judite um pouco sagaz:
- Desta cara tem safadeza
Mariana não respondeu nem sim , nem não. A dúvida ficou no ar.

Dentro de casa, o cabo Jesus não sabia que pagou o seu pecado. Mariana, sempre discreta, uma boca-de-siri.

Com o passar do tempo, o seminarista tornou-se padre. Mariana é tenente na polícia militar da Bahia.

E o velho cabo Jesus , para não perder o sinônimo, frequenta a Feira da Fumaça na cidade de Lagarto no Sergipe e lá fica feliz, vendo as meninas do cabaré.



Um conto de Oswald Abreu

sexta-feira, 3 de abril de 2009

BRASIL 4 X ITÁLIA 1

Este jogo Brasil 4 x Itália 1 não me sai da lembrança. Eu me era um menino numa cidade do interior , chamada Simão Dias. As novelas da televisão começou na tevê em 1950 com Tarcísio Meira e Glória Menezes, Paulo Gracindo e tantos outros. Na minha atrasada cidade, se contava de dedo os possuídores de televisão: casa de Seu Cipriano, Dona Pequena de Dr. Aguiar, quando aparecia a imagem era uma festa da meninada. Sempre e sempre fica a expectativa. Para tristeza de todos nós o que se via mesmo era o chuvisco.
E na rua da Feira, a Prefeitura colocou alto-falantes. O rádio era ligado na rádio Globo e foi por intermédio de Valdir Amaral, locutor global, que nós ouvimos a vitória do Brasil, tornando-se tricampeão do mundo no futebol. Pulamos, se abraçamos e festejamos. Os gols do Brasil foram marcados por Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto. O gol único da Itália foi marcado por Boninsegna.
E foi nesse tempo, que eu diferente dos meninos daquela época comecei a torcer pelo Fluminense. Os outros meninos preferiram o Flamengo, o Vasco. O Botafogo meio parecido com o Flu, alguns gatos pingados. Tinha até um torcedor do América do Rio, o alfaiate e funcionário público Abel Jacó que veio a ser depois prefeito de Simão Dias e deputado estadual.
Dizem que futebol e religião não se deve discutir.
Religião até que eu concordo.
O futebol eu discordo. O bom é discutir, lamentar, reclamar, mangar do time adversário na derrota.
O futebol é vida, alegria. Os perturbadores da paz no futebol devem ser afastados dos estádios.

A VACA DO PODER

1970, possuir carro em Simão Dias era uma raridade. Se contava de dedo quem o possuía. Os filhos de Seu Dorinha, de Dr. Salustino, de Seu Nélson Pinto, os Valadares, Celso de Carvalho eram proprietários de carro. O povo simples se valia de Dona Marinete, como era conhecido o ônibus da empresa Nossa Senhora de Fátima, para ir a Aracaju.
Carro de som só aparecia em tempo de eleição para a progaganda eleitoral dos partidos politicos ARENA 1 do senador Valadares, apelidado de Crocodilo e ARENA 2 do ex-governador de Sergipe, Celso de Carvalho, de alcunha Jacaré. Os apelidos foram colocados pelo espanhol Cesário, que negociava ouro na rua Joviniano de Carvalho, atualmente Calçadão. Mudar de partido, naquele tempo, tinha o nome de traidor. Lá em 1930, quando farmacêutico Alexandre Dutra, que foi interventor municipal, mudou dos pebas para os cabaús do coronel João Pinto, foi chamado de vira-casaca pelo intelectual e político Carvalho Neto.
Hoje a política segue outra dinâmica, ser seguidor do ex-governador Dr. João Alves Filho ou do atual governador Dr. Marcelo Déda Chagas atende às conveniências. Há ainda os radicais, estes coitados , não conseguem nada, ficam a ver navio. Lamentando que é amigo do homem.
Toma jeito, sujeito, se amigo você fosse estaria mamando.
A VACA DO PODER É LEITEIRA.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A PUTA DOS ESTUDANTES




Quando Bisqui chegou ao Cabaré Bico da Asa , tinha 17 anos. Dizia sempre ter 19 anos. Na certidão de nascimento a idade acusava a menoridade. Quando os homens de farda exigiam o documento de comprovação, a pequena rapariga falava que perdeu a identidade. A rameira foi treinada por uma puta velha, chamada Maria. O argumento colou bem só visgo de jaca. A minúscula Bisqui nasceu em Lagarto, terra dos papa-jacas.
Foi guia de cega. Roubava a cega sua avó. Com o dinheiro da subtração comprava uns vestidinhos, umas blusinhas na feira de Lagarto. Justificava que assim fazia por uma grande causa. A velha Severa, pelo nome já diz, era unha de fome, mão de figa. Não via a luz do dia, conhecer dinheiro era com ela mesmo, seja de papel ou de prata.
E a velha morreu. Estava Bisqui no olho do mundo, sem eira, sem beira. órfã de pai e de mãe. Foi trabalhar de doméstica. E na casa de Seu Zé na praça da Piedade , a menina perdeu o cabaço com o seu patrão. Prazer nem sentiu, dor, que dor desgraçada. O Zé era pior do que um jegue. Não ofertou nenhuma carícia. Pegou o seu parafuso e empurrou na tábua. Gritar até que gritou. Socorro só se fosse do papagaio Lázaro, o bicho ao ouvir os gritos, gritava também de felicidade com a desgraça alheia. O grito sem malícia do pobre animal. Gente que é uma perdição.
Não demorou muito. Um mês depois, o homem botou Bisqui no olho da rua, se é que rua tem olho. Estava à toa na vida. Sem ninguém, sem amigo, sem parente. E conversando com uma puta velha, ela a aconselhou ir buscar socorro no Cabaré Bico da Asa. Nos primeiros dias, a putinha ficava acanhada, com o tempo, veio o traqueijo, surgiu a adaptação.
Prazer ela sempre fingia. Mas no dia que deu ao estudante Pedrinho do Internato do Industrial, aí ela soube como o sexo é bom...
A pequena Bisqui tinha uma tara arretada por estudantes. Feio, bonito, magro, gordo, foi estudante era com ela mesmo. Se o coitado não tivesse o dinheiro, ela era caridosa, fazia o vaivém zero oitocentos. E o nome de Bisqui correu fama. Muitos estudantes do Internato do Industrial, a rapariga Bisqui quebrou os cabrestos. Foi uma salvadora dos meninos do Internato que já tinham as mãos grossas do toque de si mesmo.
Bisqui poderia até receber o título de cidadã da cidade, inexistiria absurdo. Afinal, foi grande utilidade pública no tempo da repressão sexual, comeu tem que casar. Senão vai para a cadeia.
Ser puta do passado não era fácil, vida boa leva hoje a garota de programa: possui seu carro, faz faculdade. É estudante universitária. No corpo bronzeado, o perfume francês.

É conversa de vovó a dama da noite. O mundo hodierno possui o novo termo acompanhante de executivo. É raridade uma garota de programa feia. Nenhuma discriminação com a feiúra. A nova garota de programa saber usar bem a língua, é bilingue.


O deputado federal Clodovil morreu. Ele se vivo bem poderia levantar esta bandeira:


A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO GAROTA DE PROGRAMA.

SÊ BESTA, LAGUE ESTE FALSO MORALISMO - ATIRE A PRIMEIRA PEDRA, QUEM NÃO GOSTA DE PRAZER.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O RIO DO CHORO

Januário coçou um dos dois debaixo. Coitados, já estavam murchos. O vigor do tempo de outrora, ela vivia através da saudade. Estava velho. Sozinho. Morreu dona Rita, sua mulher, o filho Manoel se mandou para as bandas do Paraná, nos primeiros dias chegavam cartas. Depois elas envelheceram. Na verdade, não sabia se Mané estava vivo ou morto. Ainda possuía um pouco de esperança. O velho Januário já tinha passado dos 80 anos. O dinheiro de sua aposentadoria, a metade ficava na farmácia, a outra parte pagava a água, a luz e comprava mantimentos para a sua sobrevivência.
O idoso já esperava a morte. Antecipadamente comprou o seu caixão. Já o tinha guardado por mais de 10 anos. Muitos, que o achavam doído, morreram. E Januário dizia na Barbearia de Seu Avelino:
_ Se tivesse comprado o seu caixão, não teria morrido.
O velho barbeiro ria demasiadamente.
Um certo de céu arrebol, Seu Januário foi ver o rio Caiçá de sua infância, que ele muito pescou e se banhou nas águas do rio que vinha lá do Chora-menino. E chorou. O rio estava poluído, cheio de bagaço, de lixo, de animais mortos.
O rio corria lentamente. Suas águas estavam escuras. E lembrou quando o Caiçá tinha as águas cristalinas. Matou a fome de muita gente na seca de 33.
O coração do velho começou acelerar. A vista foi escurecendo . Caiu. Quis gritar por socorro, entretanto, perdeu a voz. Um túnel veio em sua mente. E começou a ver a filmagem de sua vida: a infância, a juventude, sua viagem a São Paulo, o casamento, o trabalho, o nascimento do filho. Os curiosos foram chegando. O velho ouvia e não podia dizer nada:
- Está morto.
- É preciso levar para o hospital.
- Vamos chamar um médico.
O tempo foi passando nem hospital, nem médico. Era o último dia de Seu Januário. Lá dentro de sua alma, o velho percebia que não mais ouviria o canto de seu pássaro preto, o nascer do sol, chegou o dia fatal.
Um lágrima brotou dos olhos do velho, lembrou da poluição do Rio Caiçá, quando a moda é revitalização do Rio São Francisco.
Dona Zefinha do Maracujá disse:
- Gente, o homem está vivo, ói uma lágrima.
O carro do SAMU chegou duas horas depois. Mas o velho já tinha batido a caçoleta. Dona Caçula do povoado Feirinha da Rola, falou para amiga Matildes:
- Já era um cacaréu, há muito já devia ir para a cidade dos pés juntos.
Dona Matildes,
- Caçula, você ficou maluca, o velho era gente boa.
- Gente boa é agora, todo defunto é bom...
Pouca pessoas foram ao enterro. E ficaram os saudosistas lembrando do grande inteiro de Pedro Valadares em 1965. O Zé Preá:
- Ninguém até hoje ganhou do enterro de Seu Pedrinho Valadares. O de Pedro Mendes teve muita gente, mas o de Seu Pedrinho.
- Já reparou , Fausto, que funeral de tragédia e quando o cabra morre cedo dá muita gente.
- É verdade!
E o Rio continuou chorando a sua angústia, sua tristeza pelo descaso das autoridades.
E O VELHO FEZ A SUA ÚLTIMA VIAGEM

QUEM COME A CARNE, TEM QUE LAMBER O OSSO.




Demétrio acordou mais cedo. Sua mulher, Mariana ainda dormia. Estava ali um corpo estendido na cama. Bunda para cima, repleta de celulite. Deu-lhe uma tristeza danada. E lembrou dos bons tempos da juventude. Baile no caiçara clube, orquestra Los Guaranys. Mariana era a mais bonita, todos a desejam . Cabelos longos, cintura de pilão, pernas grossas, bunda avantajada. Falava suavemente. No banheiro do Colégio Carvalho Neto, onde Mariana estudava, lá nas paredes ficaram as lembranças dos meninos. Nesta hora, Demétrio não sentia saudade. Repressão sexual, para transar tinha que casar, senão o dr. juiz mandava para cadeia o filho do gozo.
Casou com Mariana, dois anos de namoro, nada de adentrar com o órgão do prazer. Tentar até que tentou muitas vezes, mas Mariana era muralha da China, resistente. Dizer que era santificada é conversa fiada. Permitia que tocasse nos seios, amamentasse, carícias até que podia, mas na hora H só com o casamento. Filha da mãe, nem no primeiro dia do casamento, a sujeita quis dar. No quinto dia, o cabra ficou orgulhoso, o lençol branco manchado de sangue. O homem sorriu. Para Mariana foi mais dor do que prazer. Com o tempo, ela percebeu que fez amor já tarde aos 17 anos. Ele foi seu primeiro namorado e único. Demétrio tinha aos 18 anos boa experiência sexual. Aprendeu a transar mesmo no cabaré do Bico da Asa com a professora, rapariga Bisqui. Aquela pequena fazia o homem gemer, gritar e gozar. Que saudade de Bisqui! O título de professora foi concedido pelos os meninos. Coisa de menino.
Demétrio e Mariana tiveram três filhos. Ele funcionário público, ela do lar. Sonhar até que sonhou sair de Simão Dias, mas o destino lhe deu um pai sapateiro e uma mãe doméstica. Ficou ali no dia a dia do interior, aos domingos missa na Igreja Nossa Senhora Santana, bate-papo com os amigos nos bancos da praça. Futebol era seu forte, torcedor do Flamengo, tinha o time como religião. Da política, tinha uma paixão, antes da extinção do partido político, pelo Jacaré do ex-governador Celso de Carvalho. Depois que Seu Caçulo do Jacaré se aliou ao Tonho Valadares do Crocodilo, não votou em mais ninguém. Em tempo de eleição, pode ter certeza, voto nulo.
Todavia, o que lhe oferece desgosto mesmo é ver Mariana acabada, cheia de celulite, estria. E o corpo, meu Deus, foi embora, deixando outro. Mariana está gorda, possui diabete. Aos 45 anos, parece que tem 60 anos.
Ainda pensou em separar de Mariana. A mulher reclama de tudo. Depois pensou, deixar Mariana vem uma nova Mariana. O dinheiro recebido como funcionário público mal dá para pagar as contas. O mercadinho ele faz as compras , fiado, lá em Gordinho de João Mendes, recebeu o dinheiro do Estado, Demétrio corre para pagar.
Outro dia, reclamou de sua vida ao amigo Fernando, dele obteve a resposta:


- QUEM COME A CARNE, TEM QUE LAMBER O OSSO.


E Demétrio segue andando pela vidinha do interior.

Conto de Oswald Abreu